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Olá,

Sejam muito bem vindos!

Identidade e auto-estima

Identidade e auto-estima

Esta semana foi feita de contrastes e isso levou-me a reflexões várias, que quero discutir convosco.

Na terça-feira participei no Wedding Lab Rio-Lisboa 2019, um evento itinerante entre Lisboa e Rio de Janeiro, criado pela Manoela Cesar, do Colher de Chá Noivas.

É a segunda edição em Portugal, sempre no Hotel Palácio do Estoril, e eu fui convidada como palestrante para ambos os eventos.

No rescaldo destes dias (e de três anos de eventos sucessivos e em tudo semelhantes), a primeira conclusão é que o Brasil (falo deste Brasil dos casamentos, wedding planners, decoradores, cerimonialistas, etc.) continua a ter uma visão de Portugal que em nada corresponde à realidade e isso é absolutamente chocante, até porque há vários anos (pelo menos uns bons cinco) que mostramos para fora o que fazemos tão bem neste mercado.

Vêem-nos como a “terrinha” (o que dizer sobre este termo…), parados no tempo e pobres de gosto, recursos e profissionais (apenas porque não está na nossa natureza fazermos o que eles fazem, como eles o fazem), sem capacidade para a espectacularidade que tanto apreciam.
Não entendem este feitio mediterrânico dos povos do sul, que socializa à mesa, feliz com comida, bebida, muita conversa e horas longas. Não entendem a nossa natureza melancólica e contemplativa, o ponto fortíssimo que é o nosso prazer em receber, dar, acomodar, servir, confortar, de forma genuína e orgânica, que é, no fundo, ser um anfitrião de primeira categoria. Não entendem o nosso gosto europeu, refinado, contido e muito elegante, onde a qualidade é intrínseca aos produtos e serviços, não à aparência e ao preço.

Não entendem a diferença entre ambos no sentido mais genuíno, que é sermos distintos. Interpretam-nos como menos capazes, menores, apenas porque celebramos as mesmas coisas de formas diferentes e valorizamos coisas distintas.
E é uma pena, porque é na compreensão da diferença que se descobrem as coisas interessantes e todos crescemos um pouco.

Portugal tem uma tradição de acolher, este Brasil vem para conquistar: não há muito por onde construir, partindo deste lugar, e é bastante desapontada que o constato.
O padrão de todos estes eventos que têm acontecido por cá é este: surdo, impositivo e incrivelmente desorganizado. Nós continuamos a acolher, sempre de braços abertos, sempre com imensa expectativa, sempre com o nosso melhor, de forma generosa e entusiasta (como é a nossa natureza, afinal).

Depois da Expo 98, o grande momento catalizador de mudança de identidade nacional, depois do Europeu de Futebol, depois de uma crise da qual saímos de pé, com olhos no futuro, depois da Web Summit, depois do melhor Festival Eurovisão da Canção de sempre (imprensa estrangeira dixit), ainda acreditamos pouco em nós.
Achamos que a validação tem de vir de fora e estamos sempre à procura de um líder externo. Como é possível?

Já nos deixávamos disto, não era? Para o nosso próprio bem, porque somos tão capazes como os vizinhos do lado (de cá ou de lá), como nos provamos (e aos outros) todos os dias.

Fica o meu desafio: tomem a rédea ao contraditório, sempre que a situação se proporcionar (eu fi-lo, educadamente, improvisando nos vinte minutos que me estavam reservados), estabeleçam o diálogo (seja com quem vem de fora ou com quem de cá, fala sem saber do assunto) e dêem voz ao sector.
Uma voz profissional, segura, vibrante. A nossa.

Imagem via Money can buy Lipstick.

It's not me, it's you

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Retrace your steps...

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