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Olá,

Sejam muito bem vindos!

Retrace your steps...

Retrace your steps...

O meu Julho é o vosso Setembro.
O décimo primeiro mês de trabalho seguido, o último do ano, o que acumula (e mostra) mais cansaço, o que tem trabalho a dobrar, para que Agosto seja de pausa real, mas não aparente, visto do vosso lado.
É duro, muito duro.
O desgaste diminui a eficácia, o foco não está por aqui e tudo acaba por se arrastar a um compasso pouco desejável, apenas pasteloso.
E se Julho é o mês do sufoco, Agosto é o mês para reflectir, avaliar, retrace my steps e perceber a direcção a seguir.

Mas nem sempre funciona... Já me aconteceu o regresso a borbulhar de ideias e energia contagiante e já me aconteceu um regresso desinspirado, cinzento, com pouco foco.
Este último estado de espírito tem sido mais recorrente e é importante prestar atenção aos sinais que nos damos. Se um mês de livros, sol, calor, mar, outras paragens e melhor companhia não são catalizadores, há claramente questões que precisam de ser identificadas.

Tenho tido esta sombra adicional a pairar sobre mim: não é só cansaço físico ou desgaste. É insatisfação e falta desafio, claramente, mas são também questões mais fundas: faço 44 anos daqui a umas semanas, mais de metade do caminho já foi feito, que futuro consigo ainda construir, que decisões de longo prazo são importantes tomar, que segurança profissional consigo assegurar para a próxima década? Os 45 serão um ano de viragem (como não?), o que significa que o próximo ano terá de ser maduro, certeiro, inteligente, sábio. Claro.
Ufa... é muita expectativa e pressão, não acham?

Tenho pensado muito nisto tudo, nos últimos tempos.
Como se processa uma questão que não é clara? Como abordamos um assunto, que é indefinido  e nebuloso, se não o reconhecemos e, portanto, não temos uma resposta de algibeira, pronta a pôr em prática em situações semelhantes?
A solução, para mim, passa sempre por conversar com quem sabe mais, tem mais experiência, leva mais anos de estrada. Ouvir-me a verbalizar em voz alta, de forma articulada, as questões silenciosas que me ocupam a cabeça é meio caminho para as validar ou descartar. E escolher um interlocutor sábio, com capacidade de reflexão e visão, que seja, de alguma forma, um mentor, alguém em quem reconhecemos todos estes valores, é o resto do caminho para a solução.
Antes de ir de férias, mesmo nos últimos dias, guardei o tempo para enviar dois e-mails a duas pessoas em quem vejo estas qualidades e capacidades. Conheço pessoalmente uma delas, não conheço a outra. Marquei um almoço e um chá no meu regresso. E posso dizer-vos desde já, que no meio do cansaço absoluto, a meia-dúzia de horas de apanhar um avião, há um entusiasmo latente a germinar, perante a hipótese destas duas conversas.
A decisão de contrariar este desconforto tem um valor intrínseco poderoso, é sempre bom, saudável e grande sermos nós a fazer escolhas sobre o que queremos ou não queremos, porque implica consciência clara e vontade capaz de dar início à mudança.

Agora pergunto-vos - e vocês? Quando o cansaçao vos engole, procuram subtexto nos sinais ou deixam-se levar para mais uma volta?
E quando os encontram, como os gerem, como os interpretam e solucionam?

Food for thought...

Desejo-vos uma bela temporada, nos meses que faltam para a vossa pausa!
Eu vou pegar na minha bela lista de livros, desligar-me virtualmente e absorver o sol, o sal e o amor dos amigos e família.
 

Imagem maravilhosamente serena de Fréderic Forest.

"Vende-te como queres ser comprada"

"Vende-te como queres ser comprada"